Monday, November 07, 2005

Décimo nono Andar

Por tudo que se espera dizer e todas as vontades abafadas.
Por toda a esperança que ousei chamar de dor.
Por tudo que já se criou e que foi esquecido.
Pela malcriação proposital e pelo comportamento infantil.
Pela negação dos meus desejos superficiais.
Pelas razões mais sentimentais.
Pela insistência doentia e o pranto amador.
Por repetir sempre os mesmos erros. Sempre o mesmo andar.
Por não saber nem pedir perdão.
Desculpa.
De peito aberto.

Ocasiões Especiais

Tem os dias de sol em que nada é preciso: apenas ouvir com atenção.
Nesses dias que parecem tão fáceis a vida acontece, devagar e livre.
É gentil e agradável como o vento que bate no rosto quando se dirige com os vidros abertos.
Mas nós os guardamos como as nozes dos esquilos, com medo que acabem ou que nos sejam roubados.
Preferimos guardar a vida para ocasiões especiais.

Saturday, October 29, 2005

Quarto escuro

Um quarto escuro empoeirado e cheio de lembranças. Por todos os lados aqueles dizeres horríveis e todos os meus dogmas vitais me recriminando.
“Parem de me dizer como devo viver a minha vida!” – gritei mais alto que meus pulmões eram capazes de suportar.
Tudo o que eu fiz, o que não fiz, o que queria ter feito, o que devia ter feito, o que precisava ter feito. O que preciso fazer.
O relógio corria.
Um minuto de apinéia. Preciso respirar. A vida passando como um filme na minha cabeça. Quero mais que isso. Quero olhar o mundo lá fora como uma câmera fotográfica e transformar tudo em preto e branco. Só quero que as rosas vermelhas do jardim permaneçam coloridas. E os seus olhos verdes também.
Quero seu rosto estampado no céu me seguindo para onde quer que eu vá. Quero ter a certeza de que posso contar com isso. É o mínimo.
Quero todos aqueles momentos de nervosismo perto de você e todos os dias que ficamos sem fazer absolutamente nada. Aquilo era viver. Quando o tempo parava para que pudéssemos ser felizes. Ou apenas ser. Tanto faz.
Quero o sol brilhando sobre as águas e refletindo todas as minhas virtudes.
Quero você aqui.
O tempo.
Pouco tempo.

Wednesday, October 05, 2005

Um sopro de Vaidade

O sopro dos ventos acariciava-lhe as madeixas e provocava-lhe cócegas nos lóbulos das orelhas. Os olhos vedados pela enorme quantidade de luz deixavam transbordar lágrimas pelas laterais. A terra umedecia-lhe os ombros desnudos e o barulho das folhagens pareciam-lhe sussurrar algo.
As árvores lhe eram subservientes, abanando-lhe o rosto sem parar, e livrando-na do calor. Proporcionando-lhe momentos perfeitamente sóbrios, mas completamente surreais.
Respirava fundo e conseguia ouvir seu coração pulsar, conseguia ouvir o próprio pensamento, e quase conseguia controlar o fluxo de idéias em sua cabeça. Naquele instante, parecia saber ao certo o que queria da vida, mas não se importava.
Era tudo tão simples. Leve demais, bom demais, maravilhoso demais. Sentia uma melancolia antecipada por saber que aquele momento estava prestes a acabar, mas logo se lembrava de não lembrar disso, e sentia-se plena novamente.
Era uma onda de calor invadindo-lhe o peito vazio.
Era o momento mais introspectivo que se podia ter. Era o momento dela, onde o seu egoísmo era permitido e ninguém a julgava, exceto ela, que se enxergava ali tão pura, que apenas compreendia beleza na cena.
A serenidade do silêncio, a calmaria daquela manhã vazia e a consciência de não ter que trocar palavras ou interagir de qualquer forma com ninguém. Era ela. Era só.
De repente, um ruído que preferiu ignorar. Mas logo seguiu uma voz:

- Mãe, você não vai fazer o almoço?

Levantou-se e sacudiu a terra que grudara em sua roupa. Era o recomeço de tudo.

Tuesday, September 27, 2005

Pseudo-novidade cinematográfica

Alguém já parou pra pensar que a palavra diversão vem de diversificado? Ou seja, o que nos agrada é aquilo que é novo e surpreende. Então por que Hollywood adora nos tapear, achando que somos macacos loucos por frases feitas e histórias clichês com finais previsíveis?

Por que os CEOs das grandes corporações cinematográficas americanas acreditam tão firmemente que temos preguiça de pensar e que realmente engolimos o fato de que porque mudaram os atores, a trilha sonora e uma ou duas falas do roteiro, acharemos que é um maravilhoso novo filme?

Quanta babaquice!!!! Eu não vou ao cinema para ver coloridas roupas de estilistas internacionalmente famosos. Se fosse esse meu interesse, eu me dedicaria a dar voltas pelos inúmeros shoppings da metrópole.

Sempre quando eu me engano lendo uma sinopse que parece ser diferente e vou ao cinema, sinto vontade de chorar por mais duas horas que nunca mais vou recuperar na vida. Preferia ter gastado esse tempo de outras formas, talvez até revendo algum dos meus filmes favoritos, da época em que roteiros, filmagem, produção, edição e distribuição combinados demoravam mais de três meses para ser concluídos.

Normalmente um filme precisa de patrocínio para ser levado às telas, e é tudo uma vil questão sistemática que eu vou tentar explicar de forma simplificada. Filmes alternativos raramente são levados à sério pelos grandes produtores, já que esses visam o lucro imediato, e sabem que um filme da Britney Spears vende mais do que um roteiro como o de Dogville. E por que esse filme realmente vende mais? Simplesmente porque a maioria do público não está acostumada com os filmes alternativos, e todos os filmes hollywoodianos seguem um padrão, inserido na mente da maioria como o jeito certo de se fazer cinema.

É um caminho longo e demorado quebrar esse padrão. A maioria torce o nariz a um filme só pelo fato de ouvir dizer que este é europeu. Americanos, principalmente, rendem-se a preguiça de ler quaisquer legendas. Mas a pior das conseqüências é que se inicia no mundo uma homogeneização do pensamento e costumes. A partir do momento em que todos têm acesso à mesma cultura, ou seja, todos assistem aos mesmos filmes, ouvem as mesmas músicas, sofrem as mesmas influências, as peculiaridades de cada lugar vão gradativamente se perdendo.

As grandes produtoras têm contato com as melhores distribuidoras e patrocinadores e, ao fazer filmes, já de inicio conseguem nomes consagrados do cinema atual para interpretarem os papéis principais, o que já funciona como o primeiro chafariz do filme. Quem nunca foi assistir a um filme simplesmente porque gosta de determinada atriz ou porque pensou “esse ator só faz filmes bons”?

Infelizmente, nem todos os bons atores que têm fama e dinheiro suficientes para recusarem-se a fazer qualquer papel que possa influir negativamente em suas carreiras são tão confiáveis. Nos últimos dez anos, quase todos os grandes nomes tiveram fracassos de bilheteria, filmes que decepcionavam até os que menos esperam das histórias das telas. Um exemplo recente é o desempenho de Nicole Kidman em “A Feiticeira”, filme que foi fiasco de críticas e bilheteria pela péssima atuação do elenco, pelo enredo pobre, e pela indignação dos fãs do seriado dos anos 50, que esperavam um remake à altura.

Mesmo que o roteiro seja fraco, as produtoras multimilionárias investem montanhas de dinheiro em diversos aspectos do filme, começando pelos contratos milionários de artistas e diretores renomados, passando pelos cenários e efeitos especiais e chegando na divulgação do filme.

No sistema capitalista, o dinheiro influência completamente o que o publico assiste ou deixa de assistir. Desde o marketing que é feito acerca do filme, até a chegada deste às grandes salas de cinema internacional como Cinemark e UCI, não esquecendo das locadoras, como a Blockbuster.

Mesmo aqueles que gostam dos festivais de cinema e estão sempre atrás de filmes estrangeiros, independentes, alternativos ou antigos, não os acham tão facilmente. Numa cidade como São Paulo, por exemplo, que é a terceira maior cidade do mundo, existem pouquíssimas locadoras que oferecem filmes variados e um número ainda menor de salas de cinema que os exibem.

Fica explícita aqui a minha indignação pela má-fé dos envolvidos nos projetos de filmes como "100 mulheres", "A múmia", "Star Wars III" e "A Ilha". A minha intenção não é gastar dinheiro para ver sorrisos perfeitos fabricados por dentista famosos de Los Angeles ou truques ilusionistas proporcionados pelas novas tecnologias.

As pessoas têm que abrir a cabeça aos poucos e dar espaço para novas experiências. Antes de falar mal do que desconhecem, conhecer. Poderão descobrir um mundo de novidades surpreendentes. E, em pouco tempo, começarão a ser mais seletivas em relação ao filmes que assistem. Daí, perceberão os CEOs dos impérios cinematográficos, os filmes terão que ser melhor elaborados a fim de renderem lucro, e a cena do cinema mundial mudará de vez, finalmente dando lugar à diversidade e à diversão.

Thursday, September 01, 2005

Sapatos de corrida

Ela seguiu em direção ao vazio, por puro escapismo. Fugindo não sabia de quê, mas correndo e gritando e gemendo e chorando. E tentando entender.
Uma dor avassaladora no peito, aquele cheiro de mato molhado, os batimentos acelerando a cada instante. Sentia o vento adentrar-lhe os pulmões e gelar-lhe o interior. Sentia a vida, como há muito tempo não fazia. E por isso continuava a correr.
A cada passo redescobria uma emoção. A cada minuto desprendia uma amarra. Era livre outra vez e ainda não sabia para quê. Mas sentia-se bem.
Pensamentos lhe passavam pela cabeça como aves migrando para o sul no inverno: não paravam um segundo sequer. Podia sentir as aulas de ciência: milhares de moléculas agitando-se cada vez mais a cada milímetro de seu ser.
Nesse momento gabava-se: “Engana-se quem pensa que corro sem direção: Estou atrasada para um longo encontro. Estou ansiosíssima para saber se me aprovo”.
E foi simples assim que, fugindo de sua gélida rotina circular e desinteressante, ela conseguiu alcançar a vida. Bastou a coragem para calçar os sapatos.

Tuesday, August 16, 2005

EU

Eu, autólatra, ególatra,
Afogava-me em mim mesmo
Andava acompanhado de pensamentos
Sempre a esmo

A cada circunstância da vida
No espelho, meu reflexo via
Tentei resgatar a juventude ida
Mas sobre tudo, sempre tudo sabia

Nas minhas atitudes, calculava:
O que posso ganhar com isso?
Divertia-me quando relembrava
Minhas virtudes sem compromisso

Sonhava o dia em que seria só
Dentro de uma redoma linda
Mas para enaltecer meus sentimentos
As multidões eram sempre bem-vindas

Queria o pedestal da fama
E toda a glória advinda
Mas idéia nenhuma me vinha
Fui à procura de uma adivinha

Revelou que tinha quase tudo o que precisava
Daí me contou o que faltava
O problema era achar que me bastava
Na hora, fiquei sem palavra

Descobri a tempo minha solução
Fui em busca de alguém à altura
Precisava de uma união
Mas ninguém veio em minha direção

Cada uma aparecia com uma objeção
Ninguém reconhecia minha grandiosidade
Diziam que eu não saberia entregar meu coração
Que eu era pura vaidade

Foi aí que resolvi mandar tudo às favas
E um belo dia, sem mais nem menos
Caminhando num lago em dia ameno
Vi a minha resposta refletida sobre as águas.

Monday, August 08, 2005

Relance

Ela o olhou de relance
E logo rolou um sentimento
Ele retribuiu o lance
Foi de mútuo entendimento

Os dois viraram-se num instante
E foram de encontro um ao outro
Ela estava ofegante
Ele parecia um tanto afoito

O amor tem das suas impaciências
Principalmente dos seus desconfortos
Mas apesar de toda estranheza
Este foi o melhor dos encontros

Os lábios selaram-se num ímpeto
Num acordo que gritava celestial
Para os dois, o momento mais lindo
Para Deus, uma cena banal

Ele tirou do bolso um bombom
Era amor – ele sentia
Ela foi tomada por um frisson
Era para sempre – ela sabia

Toda vez ele se convencia:
O amor acontece todo dia
Ainda assim, a sua perna tremia
E àquela sensação maravilhosa sucumbia

Que sentimento encantador acontecera ali
Entre dois corpos no espaço sideral
E mesmo com todo o frenesi
Apenas um dia normal

Wednesday, August 03, 2005

The Lane Called Love

All the roads lead to one single damn place
Which in a foreign land not at all foreign to me
Long ago used to be called Loneliness
The place in which I did not want to be

I’ve been strugling not to go there
But as far as I’m concerned
I’ve already paid cash
One-way ticket, no return

A while ago I though of leaving
But I will never consider it again
Because from all the things I’ll be needing
You represent a hundred per cent of them

You can make my lips go up
And embrace a smile as if it was mine
Now I can pretend to own the hapiness
That you made me grow inside

Without you there’s no sparkle when I wake up
Only stains, mess and morning breath
But you are like a song that gets me up
The soundtrack to my better half

But I haven’t told you yet my favorite part
It’s this amazing connection between our hearts
They just work better when they’re not too far apart
Mine feels home when I’m in your arms

I don’t have many reasons to believe in love
But one thing oh, so true
I felt less lonely just thinking about you

And if it helped me just writing this
I’m gonna quit saying “Please”
I’ll just go on loving you exactly like this

Tuesday, June 07, 2005

Baú de lembranças novas

Foi-se o novo. Só restou o antigo. Restou o cheiro de nafitalina que mantém as coisas velhas como se fossem novas. Mas esse cheiro não engana.

Não sei onde buscar novidade, algo que me faça atravessar extremos e derrubar barreiras.
Quero o cheiro de estofado novo. A sensação de que não conheço o que me aparece pela frente. Nada de rotinas, fardos, reprises.

Quero desmontar meu mundo de lego e trocar todas as pecinhas de lugar. Vou me vestir de vermelho. Cansei do preto e branco.

Quero novos sonhos, mesmo que os antigos nunca tenham se realizado. Nada disso importa. Importa que eu não quero mais pensar nos mesmo sonhos e nos mesmos obstáculos de sempre. Não quero querer nada do que já quis. Eu sei como é querer essas coisas.

A minha vida precisa de uma mudança radical. Nada do que passa pela minha cabeça é novo o suficiente. Não quero ter que mudar as coisas, me desfazer do que gosto. Quero que o destino o faça pra mim. Quero que as coisas se encaminhem pra um caminho completamente oposto. Sem que eu perceba.

Até que de repente, que agradável surpresa: uma novidade!

Sunday, May 15, 2005

Nãooo

Vezes não tenho o que dizer. Vezes não sei o que pensar.
Não sei do que sou feita. Mudo de idéia muitas vezes por pensamento.
E a vida escreve a minha história. Às vezes eu ajudo, às vezes eu nem percebo.
Estou na inércia do pensar.
Não acho o que sei suficiente, mas perdi a vontade de aprender.
Concordo que ignorância seja uma benção. Então para quê aprender? Para saber mais?? Pelo contrário. Para perguntar mais.
Nessas alturas, prefiro ficar quetinha no meu canto. Ouvindo aquilo que nem sempre é feito para se ouvir, mas que nem me surpreende.
Recheada de não-emoções, eu vivo sob o teto-marasmo que criei para mim. Proteção? Maldição?
Não, não, não. Não quero pensar agora. Quem sabe depois que eu abrir os olhos...

Wednesday, April 27, 2005

Incertezas

Meu acervo são cores nubladas
Vozes, sons, falas dubladas
Pensamentos, sonhos, vontades caladas
Verdades, caminhos, liberdades narradas

Fico então com minhas dúvidas e entraves
Não pinto o sete, pinto no máximo o cinco
Tento a bola mas miro as traves
Procuro respostas com afinco

Sou o que sou e não me nego
Danço com os pés rentes ao chão
Volta e meia escorrego
O cupido acerta a flecha da paixão

Não posso ser nem mais nem menos nem outrem
Se soubesse antes da vida que vivo
Não a dividiria com ninguém
Viveria e morreria sem motivo

De nada tenho certeza
Mas as dúvidas me dão água na boca
Aos poucos perco a defesa
Ser sã para mim é ser louca

Por isso sou o que sou e não nego
Mesmo com sapato fino escorrego
Não estou muito acima do chão
Mas alegro-me por usar o coração

Sunday, April 03, 2005

Orgulho

Se tem uma coisa que ninguém admite, mas que estraga muitas relações ou, pelo menos, evita muitos momentos perfeitos, é o orgulho.
Tem uma frase muito antiga, do tempo em que vovó ainda era gostosa, que é: "quando um não quer, dois não brigam". Pois esta é uma verdade viceral. Se há briga é porque nenhum deles quer dar o braço a torcer. Então por que colocar a culpa no outro? Adianta de alguma coisa?
A culpa pode ser metade de um, metade de outro, mas se a outra pessoa é ainda mais orgulhosa que você, ela nunca vai admitir!
Pois é, nem quem sabe que a medida inteligente seria deixar para lá faz isso. Porque o ser humano não é muito inteligente mesmo.
Às vezes, ouvir um: "é, você tem toda a razão" melhora o dia de uma pessoa. Mas por que será que a gente sente tanto prazer quando alguém nos dá a razão?
Parece que uma vez que o outro admitiu que estamos corretos, passamos a ser superiores a este. Só que não é assim (e sabemos). Então por que cargas d'água agimos como se fosse?
Impossível responder. É, está aí: tem coisas que nem o pederasta do Freud explica. Infelizmente! Porque às vezes, quando precisamos desesperadamente de uma resposta para qualquer pergunta, é muito bom viajar na batatinha do outro. Nem que seja acreditar piamente na conversão do dízimo em caridade quando estamos no nosso leito de morte.
A necessidade faz a verdade. Mas isso eu não ouvi em lugar nenhum.
Acho que é só. Claro que não é só o que tenho para dizer. (Ou nem tenham tanta certeza, afinal, como vocês poderiam saber?). Entretanto, é só o que eu estou com vontade de escrever agora. Que cãimbra horrível. Fui...

Monday, March 21, 2005

O resto é resto

A espera termina e outro dia de cão se inicia.
Você não sabe o que eu penso mas tenta sempre descobrir.
Um único jeito de te dizer o que sinto é olhando dentro dos teus olhos. Será que você me permite?
Um longo gole d'água para me refrescar e terminar o sofrimento. Nas horas em que estamos com vontade de algo, aquilo que queremos é a coisa mais importante do mundo.
É tão fácil me fazer feliz. Eu sou fácil. Por que que ninguém me entende??
Acho que eu não sou tão clara com as palavras. Prefiro não dizer nada.
Mas se você jura que quer me entender, olha para mim. Me dá uma chance, no silêncio.
Compreende que o que eu não digo importa mais do que o que eu digo.
Me abraça e espera o tempo passar. Afinal, não tem coisa melhor. E as palavras, as palavras são só símbolos. Em outro país, em um universo paralelo, longe daqui, elas perdem o sentido.
As pessoas te enganam com as palavras. Palavras são falsas.
Ninguém te engana com um longo abraço, um beijo.
Você significa tudo para mim no momento em que o que eu quero é você.
E eu quero você, acredite. Não por causa dos sons que fogem da minha boca, mas porque eu olho para você e é isso que eu sinto.
"Vem e não liga para o resto".
"O resto é resto", diziam os meus lábios.