Saturday, October 29, 2005

Quarto escuro

Um quarto escuro empoeirado e cheio de lembranças. Por todos os lados aqueles dizeres horríveis e todos os meus dogmas vitais me recriminando.
“Parem de me dizer como devo viver a minha vida!” – gritei mais alto que meus pulmões eram capazes de suportar.
Tudo o que eu fiz, o que não fiz, o que queria ter feito, o que devia ter feito, o que precisava ter feito. O que preciso fazer.
O relógio corria.
Um minuto de apinéia. Preciso respirar. A vida passando como um filme na minha cabeça. Quero mais que isso. Quero olhar o mundo lá fora como uma câmera fotográfica e transformar tudo em preto e branco. Só quero que as rosas vermelhas do jardim permaneçam coloridas. E os seus olhos verdes também.
Quero seu rosto estampado no céu me seguindo para onde quer que eu vá. Quero ter a certeza de que posso contar com isso. É o mínimo.
Quero todos aqueles momentos de nervosismo perto de você e todos os dias que ficamos sem fazer absolutamente nada. Aquilo era viver. Quando o tempo parava para que pudéssemos ser felizes. Ou apenas ser. Tanto faz.
Quero o sol brilhando sobre as águas e refletindo todas as minhas virtudes.
Quero você aqui.
O tempo.
Pouco tempo.

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