Eu, autólatra, ególatra,
Afogava-me em mim mesmo
Andava acompanhado de pensamentos
Sempre a esmo
A cada circunstância da vida
No espelho, meu reflexo via
Tentei resgatar a juventude ida
Mas sobre tudo, sempre tudo sabia
Nas minhas atitudes, calculava:
O que posso ganhar com isso?
Divertia-me quando relembrava
Minhas virtudes sem compromisso
Sonhava o dia em que seria só
Dentro de uma redoma linda
Mas para enaltecer meus sentimentos
As multidões eram sempre bem-vindas
Queria o pedestal da fama
E toda a glória advinda
Mas idéia nenhuma me vinha
Fui à procura de uma adivinha
Revelou que tinha quase tudo o que precisava
Daí me contou o que faltava
O problema era achar que me bastava
Na hora, fiquei sem palavra
Descobri a tempo minha solução
Fui em busca de alguém à altura
Precisava de uma união
Mas ninguém veio em minha direção
Cada uma aparecia com uma objeção
Ninguém reconhecia minha grandiosidade
Diziam que eu não saberia entregar meu coração
Que eu era pura vaidade
Foi aí que resolvi mandar tudo às favas
E um belo dia, sem mais nem menos
Caminhando num lago em dia ameno
Vi a minha resposta refletida sobre as águas.
Tuesday, August 16, 2005
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