Alguém já parou pra pensar que a palavra diversão vem de diversificado? Ou seja, o que nos agrada é aquilo que é novo e surpreende. Então por que Hollywood adora nos tapear, achando que somos macacos loucos por frases feitas e histórias clichês com finais previsíveis?
Por que os CEOs das grandes corporações cinematográficas americanas acreditam tão firmemente que temos preguiça de pensar e que realmente engolimos o fato de que porque mudaram os atores, a trilha sonora e uma ou duas falas do roteiro, acharemos que é um maravilhoso novo filme?
Quanta babaquice!!!! Eu não vou ao cinema para ver coloridas roupas de estilistas internacionalmente famosos. Se fosse esse meu interesse, eu me dedicaria a dar voltas pelos inúmeros shoppings da metrópole.
Sempre quando eu me engano lendo uma sinopse que parece ser diferente e vou ao cinema, sinto vontade de chorar por mais duas horas que nunca mais vou recuperar na vida. Preferia ter gastado esse tempo de outras formas, talvez até revendo algum dos meus filmes favoritos, da época em que roteiros, filmagem, produção, edição e distribuição combinados demoravam mais de três meses para ser concluídos.
Normalmente um filme precisa de patrocínio para ser levado às telas, e é tudo uma vil questão sistemática que eu vou tentar explicar de forma simplificada. Filmes alternativos raramente são levados à sério pelos grandes produtores, já que esses visam o lucro imediato, e sabem que um filme da Britney Spears vende mais do que um roteiro como o de Dogville. E por que esse filme realmente vende mais? Simplesmente porque a maioria do público não está acostumada com os filmes alternativos, e todos os filmes hollywoodianos seguem um padrão, inserido na mente da maioria como o jeito certo de se fazer cinema.
É um caminho longo e demorado quebrar esse padrão. A maioria torce o nariz a um filme só pelo fato de ouvir dizer que este é europeu. Americanos, principalmente, rendem-se a preguiça de ler quaisquer legendas. Mas a pior das conseqüências é que se inicia no mundo uma homogeneização do pensamento e costumes. A partir do momento em que todos têm acesso à mesma cultura, ou seja, todos assistem aos mesmos filmes, ouvem as mesmas músicas, sofrem as mesmas influências, as peculiaridades de cada lugar vão gradativamente se perdendo.
As grandes produtoras têm contato com as melhores distribuidoras e patrocinadores e, ao fazer filmes, já de inicio conseguem nomes consagrados do cinema atual para interpretarem os papéis principais, o que já funciona como o primeiro chafariz do filme. Quem nunca foi assistir a um filme simplesmente porque gosta de determinada atriz ou porque pensou “esse ator só faz filmes bons”?
Infelizmente, nem todos os bons atores que têm fama e dinheiro suficientes para recusarem-se a fazer qualquer papel que possa influir negativamente em suas carreiras são tão confiáveis. Nos últimos dez anos, quase todos os grandes nomes tiveram fracassos de bilheteria, filmes que decepcionavam até os que menos esperam das histórias das telas. Um exemplo recente é o desempenho de Nicole Kidman em “A Feiticeira”, filme que foi fiasco de críticas e bilheteria pela péssima atuação do elenco, pelo enredo pobre, e pela indignação dos fãs do seriado dos anos 50, que esperavam um remake à altura.
Mesmo que o roteiro seja fraco, as produtoras multimilionárias investem montanhas de dinheiro em diversos aspectos do filme, começando pelos contratos milionários de artistas e diretores renomados, passando pelos cenários e efeitos especiais e chegando na divulgação do filme.
No sistema capitalista, o dinheiro influência completamente o que o publico assiste ou deixa de assistir. Desde o marketing que é feito acerca do filme, até a chegada deste às grandes salas de cinema internacional como Cinemark e UCI, não esquecendo das locadoras, como a Blockbuster.
Mesmo aqueles que gostam dos festivais de cinema e estão sempre atrás de filmes estrangeiros, independentes, alternativos ou antigos, não os acham tão facilmente. Numa cidade como São Paulo, por exemplo, que é a terceira maior cidade do mundo, existem pouquíssimas locadoras que oferecem filmes variados e um número ainda menor de salas de cinema que os exibem.
Fica explícita aqui a minha indignação pela má-fé dos envolvidos nos projetos de filmes como "100 mulheres", "A múmia", "Star Wars III" e "A Ilha". A minha intenção não é gastar dinheiro para ver sorrisos perfeitos fabricados por dentista famosos de Los Angeles ou truques ilusionistas proporcionados pelas novas tecnologias.
As pessoas têm que abrir a cabeça aos poucos e dar espaço para novas experiências. Antes de falar mal do que desconhecem, conhecer. Poderão descobrir um mundo de novidades surpreendentes. E, em pouco tempo, começarão a ser mais seletivas em relação ao filmes que assistem. Daí, perceberão os CEOs dos impérios cinematográficos, os filmes terão que ser melhor elaborados a fim de renderem lucro, e a cena do cinema mundial mudará de vez, finalmente dando lugar à diversidade e à diversão.
Tuesday, September 27, 2005
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