O sopro dos ventos acariciava-lhe as madeixas e provocava-lhe cócegas nos lóbulos das orelhas. Os olhos vedados pela enorme quantidade de luz deixavam transbordar lágrimas pelas laterais. A terra umedecia-lhe os ombros desnudos e o barulho das folhagens pareciam-lhe sussurrar algo.
As árvores lhe eram subservientes, abanando-lhe o rosto sem parar, e livrando-na do calor. Proporcionando-lhe momentos perfeitamente sóbrios, mas completamente surreais.
Respirava fundo e conseguia ouvir seu coração pulsar, conseguia ouvir o próprio pensamento, e quase conseguia controlar o fluxo de idéias em sua cabeça. Naquele instante, parecia saber ao certo o que queria da vida, mas não se importava.
Era tudo tão simples. Leve demais, bom demais, maravilhoso demais. Sentia uma melancolia antecipada por saber que aquele momento estava prestes a acabar, mas logo se lembrava de não lembrar disso, e sentia-se plena novamente.
Era uma onda de calor invadindo-lhe o peito vazio.
Era o momento mais introspectivo que se podia ter. Era o momento dela, onde o seu egoísmo era permitido e ninguém a julgava, exceto ela, que se enxergava ali tão pura, que apenas compreendia beleza na cena.
A serenidade do silêncio, a calmaria daquela manhã vazia e a consciência de não ter que trocar palavras ou interagir de qualquer forma com ninguém. Era ela. Era só.
De repente, um ruído que preferiu ignorar. Mas logo seguiu uma voz:
- Mãe, você não vai fazer o almoço?
Levantou-se e sacudiu a terra que grudara em sua roupa. Era o recomeço de tudo.
Wednesday, October 05, 2005
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