Wednesday, September 01, 2004

O que é a vida? ...

O que é a vida senão algo a se viver?
Óbvio, pode parecer, mas as pessoas se esquecem disso. Eu me esqueço disso o tempo todo.
Muitas vezes me pego à espera do amanhã, na lembraça do ontem, ou num marasmo completo.
Uma tarde em frente à tv, um dia pelos cantos sem ver ninguém. Momentos sem perspectiva.
Mas como definir o que é vida? Vida não é apenas respirar.
Dizem que nós complicamos o que é simples, mas eu sei que a vida não pode ser simples.
Sim, a vida é simples, nós que a complicamos... Um momento. Preciso reavaliar essa frase.
A vida é simples porque das pequenas coisas ela é feita, mas ao mesmo tempo é muito complicada porque nós somos seres inteligentes demais para entender a sua simplicidade.
Essa filosofia podia se estender por uma eternidade e meia, mas isso não vem ao caso.
O que importa mesmo é a maneira como aproveitamos o tempo que nos é dado.
A palavra chave é paixão. Mais ainda que amor... paixão.
Eu amo meus pais, meu irmão, meus primos, meus amigos, amo muitas pessoas. E algumas coisas também.
Mas a paixão acontece quando entramos de cabeça nas emoções sem medo de nos machucar. Sim, o medo até ocorre. O medo, eu diria, é um mal necessário, mas ele nunca pode ser maior do que a vontade de viver.
Quanto maior a paixão maior a dor que se sente quando tudo acaba. E o rompimento sempre acontece. Nenhum momento é para sempre, e não é pelo simples fato de que não deve ser. Quanto mais o tempo passa maiores e mais intensas as emoções que sentimos, e por isso vale a pena seguir em frente. Acontecerão sofrimentos, e na hora em que eles acontecerem nada os fará passar mais rapidamente. Mas os sofrimentos existem porque temos que passar por eles.
Uma coisa é certa: nada existe sem razão.
Os sofrimentos abrem nossos caminhos. Algo que faz você sofrer demais com nove anos de idade parece bobagem quando você tem treze anos, e assim por diante.
O sofrimento significa o término de uma fase, apenas mais um rompimento. Superá-lo nos faz crescer.
Se nos fixarmos na dor que poderá surgir com o final de alguma fase, não ousaremos iniciar fase alguma. Se assim o fizermos, chegaremos ao nosso leito de morte sem histórias para contar.
Por isso, guardo com alegria todas as minhas cicatrizes. É por elas que percebo que não sou uma máquina, mas um sistema vivo.

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