É a poeira do mundo que se levanta e faz meus olhos arderem, entope minha garganta e dificulta a minha respiração... Preciso de água!!
Cada gota é uma ilusão, uma mentira. Mas eu não fico tímida ao me banhar e tomar dessa água, porque dela eu preciso.
Me chamar de hipócrita seria a maior das hipocrisias pois quem não cria suas próprias ilusões aqui acaba morrendo asfixiado.
O que mais meconcerne é o modo como funciona a divisão de classes. Como se fosse uma cachoeira. Quem fica no topo tem água de sobra e pode passar o dia tomando sol, mas quem está lá embaixo sente a força com que a água chega!! E é muito difícil olhar para cima e enxergar a verdade pois quem olha fica cego com a luz do sol e não consegue enxergar direito... chora!! Acaba acreditando que quem está no topo da cachoeira é mesmo diferente e pertence àquele lugar.
Quem está no alto nem é afetado pela poeira do mundo. Em compensação, os que estão embaixo são tão afetados que acabam virando poeira. Viram o mal do mundo.
E é muito difícil entender a vida lá em cima quando se está embaixo. E quem é que tem coragem de colocar as mãos na imensidão das águas e achar que vai conseguir impedir a queda da cachoeira!?
A poeira do mundo está subindo e fazendo meus olhos arderem. Meus olhos choram...
Mas é impossível não ignorar a poeira nunca! Se eu não fechar meus olhos nem para dormir como vou descansar?? Se eu não descanso, minha razão me abandona.
Razão e ilusão para mim funcionam como lua e sol: nunca estão juntos mas eu preciso que os dois existam para que possam sempre se revezar.
Aliás, eu vejo que canoa alguma sobe o rio, mas a cada dia mais uma canoa rola lá do alto. Não tem queda pior.
Aqui no chão as canoas se amontoam. Não há mais espaço para elas. Mas quem sabe um dia não terão tantas canoas empilhadas aqui no chão que todos poderão escalá-las e então enxergar o sol sob a mesma perspectiva??
Tuesday, September 14, 2004
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