De ‘de repentes’ são feitas as minhas incertezas
De ‘depois’ os meus infortúnios corriqueiros
De ‘améns’ os meus arrependimentos constantes
Será? Será que existe o sim, o não e o talvez?
Será que as respostas serão sucintas e fatídicas?
Em minha mente ressoa um tremendo ‘não sei’
Preciso de respostas claras, mesmo que elas me carreguem em infindáveis círculos
Porque tenho essa imensa e incessante necessidade de pensar
Coisas impensáveis que se tornam exacerbadamente arquitetáveis
Já as coisas inimagináveis eu nunca conseguirei capturar
Talvez através do olhar de outros
Daí o meu amor pela arte e pela conversa do dia-a-dia
Assim eu sou levada pelo conceito ilusório das conversas profundas
Em pensar que o que eu acho que vai me levar a algum lugar concreto
Só me traz mais e mais abstrações
Em achar que eu vou me encontrar no meu universo doido
Em sentir que o querer não sai do papel e não toma impulso
Nem mesmo meus sonhos alados tocam as nuvens
Nem mesmo minha criatura faminta acha tempo para alimentar-se
Por isso eu divago, eu atino, eu maquino, eu interrogo minha caixa de pensamentos
São ambições uivantes que me levam ao lugar onde eu quero estar
Aquele que não tem começo nem fim e nem sempre se chama realidade
Esse tal saber que me atordoa e cada vez menos traz felicidade
O tal que sempre me deixa em estado de alerta e sempre me mantém ocupada
Às vezes seria bom um silêncio, um vazio... um nada em que pensar
O ‘porém’ sempre eleva minha sobrancelha direita
O ‘quem sabe’ faz cóssegas na boca do meu estômago
Mas o ‘com certeza’ – esse sim – é o que mais me amedronta e atormenta
Porque o ‘quem sabe’ significa chance e esperança
E o ‘porém’ o desafio de encontrar uma saída
Agora, o com ‘certeza’ é a morte trazida por um ‘nunca mais’ silencioso
E segundos mais tarde, eu quero que tudo se faça em pedaços
Porque nada é tão importante ou relevante
Não o suficiente para me deixar inquieta e desconcertada
Mesmo assim, é como eu me sinto toda vez que reflito sobre qualquer coisa
E como eu sou uma máquina expressa de pensamentos – fúteis ou interessantes
É dessa forma que me sinto todos os dias de minha vida indecisa
Sunday, November 14, 2004
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